Feedback e opinião: como equilibrar

O feedback é um processo super importante tanto dentro da empresa, para colaboradores e projetos, quanto para serviços e profissionais terceirizados, que precisam mergulhar e compreender melhor seu negócio e público.

Porém, o simples “tá bom / não tá bom” não pode ser considerado uma base sobre a qual as melhorias podem ser construídas, afinal, pouco ou nada se explica quando o comentário é reduzido a sim ou não, a gostei ou não gostei.

 
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Pra que essa interação seja verdadeiramente útil, se faz necessária uma troca mais profunda de interpretações, embasamentos e escolhas. Para isso, como quase tudo nessa vida, existe um processo que merece ser levado em consideração – e que acaba passando, muitas vezes, totalmente batido.

Sim, não e porquê

Talvez o conselho mais óbvio também seja um dos mais verdadeiros e ignorados: seja construtivo. Isso significa ir além do apontamento do que você percebe como forças e fraquezas do trabalho, do que é caprichosamente escolhido pela sua expectativa pessoal; ser construtivo é indicar caminhos, referências que agradam e possíveis soluções para o que, grande parte das vezes, se trata apenas de falha de comunicação entre briefing e execução.

Sejam conteúdos, ações ou qualquer que seja o projeto desenvolvido por um colaborador, in house ou terceirizado, seu objetivo final não é simplesmente agradar a empresa em si,  mas sim seu público.

Quando respeitamos a voz da marca e sua personalidade, suas causas e bandeiras, precisamos muitas vezes apenas nos desprender de nossas próprias referências e gostos para compreendermos que tudo isso está sendo feito para estabelecer conexões com o consumidor ou usuário. Por isso, é com ele que a mensagem precisa ressoar ao máximo, certo?

Sendo assim, concluímos que o foco está nos objetivos estabelecidos e nos resultados procurados – se o trabalho apresentado possuir esses elementos, já é totalmente merecedor de um feedback completo, algo que o guie até uma versão final satisfatória para todos.

Seja direto e esteja preparado

Muitas vezes, fazemos N rodeios antes de alcançar o ponto que queremos passar. Isso pode até funcionar em algumas de nossas relações pessoais (será que funciona mesmo?), mas definitivamente não é algo válido para o julgamento de entregas e trabalhos realizados, principalmente em tempos de busca pela agilidade nas entregas e processos. Quando passamos nosso feedback, é necessário que sejamos diretos e precisos, quase cirúrgicos, na hora de decidir e repassar que pontos precisam ser refeitos ou analisados.

Isso é algo muito mais fácil de ser alcançado quando nos preparamos adequadamente para essa troca, absorvendo o trabalho realizado com o tempo devido e a ótica correta: pensando no público a ser alcançado, em como a marca se porta e o que é esperado (ou não) dela.

Quando aplicamos essa equação relativamente simples e embasada em resultados, a identificação de problemas ocorre de maneira muito mais orgânica, não apenas embasada em suas próprias experiências e gostos.

Através dessa identificação, você poderá comunicar ao seu colaborador com muito mais precisão o que requer mais atenção ou até mesmo uma refação mais substancial. Ninguém ama refazer seu trabalho, porém, quando a motivação é sincera, o processo se torna muito mais justo e absolutamente compreensível.

Não improvise. Jamais.

Sobre o oposto: jamais improvise seus comentários, isso é um grandíssimo de um tiro no pé. Normalmente, é nessas situações que o cliente acaba contradizendo até mesmo o briefing que aprovará anteriormente, já que nosso cérebro irá correndo exatamente para os pontos que nos atraem negativamente. Como contratante e “juiz” do trabalho alheio, seja pró-ativo em sua análise e persiga somente o que for produtivo, o que irá acrescentar valor ao trabalho. Demais comentários devem ser policiados, afinal, acabam sendo decisões tomadas na pressa do momento – já que a reunião não pode durar para sempre – ou apenas em reação instintiva ao que não lhe agrada como pessoa.

Essa preparação também significa que você não é obrigadx a dar respostas imediatas. Ouvi uma frase excelente de uma cliente recentemente: “não é porque estão gritando que eu preciso responder na hora”. Isso é totalmente verdade e precisa ser levado muito a sério, já que o timing das coisas e o contexto no qual realizamos nossas tarefas afetam em muito o resultado final, mesmo que ele seja uma reação a um resultado alheio.

Tome seu tempo, analise no momento certo e com a cabeça livre de preconceitos  – o principal juiz do que está bom ou não está deve ser o briefing aprovado e discutido previamente.

Feedback da equipe

Outra falha muito comum é o feedback em prestações, aquele que vem de pouquinho em pouquinho a medida que os envolvidos no projeto têm tempo para fazerem seus próprios comentários. De duas uma: ou o colaborador encarregado terá tanto trabalho que a entrega final será produto de estresse e frustração, ou o trabalho sairá muito mais caro do que o esperado ou acordado inicialmente. E isso é bastante justo, na minha opinião de quem já passou por situações semelhantes, afinal, cada entrega exigirá uma “nova entrega”, uma nova refação baseada em opiniões e backgrounds diferentes.

 
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Por isso, reúna as opiniões pertinentes e condense tudo isso em action points executáveis e realistas. Não adianta simplesmente entregar feedbacks contraditórios aos montes, criando threads de emails infinitas. Seja sucinto, o resultado final vai agradecer o esforço.

Escute os contrapontos

Sim, você como cliente tem total direito a suas observações, comentários e opiniões. Porém, as vezes vale lembrar que, se você contratou alguém para realizar um trabalho, essa pessoa presumivelmente sabe o que está fazendo.

Não se trata de uma briguinha por poder, nada disso. O que estamos dizendo é que as vezes o empreendedor ou gerente de projeto prefere ignorar por completo a opinião do expert em questão, do profissional que foi justamente chamado por suas competências, experiências e skills.

As vezes o texto realmente precisa ser menor para funcionar e as vezes a imagem realmente não deve ser nessa cor para que a impressão não seja prejudicada. Esses conhecimentos são adquiridos ao longo de carreiras inteiras, de erros e acertos e, por isso, merecem sim serem ouvidos e levados em consideração.

Se você não se convenceu, tudo bem também. O bom profissional fará de tudo para balancear seu conhecimento com as opiniões da marca e/ou de seus idealizadores, isso tudo faz parte do mercado criativo.

Mas fica o lembrete repetido: se você contratou essas pessoas, devem ter havido motivos, não? Fica o pensamento.

 
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De roteiros a conteúdo e até livros de RPG, André trabalha para inventar novos meios, tons e approaches para a comunicação entre clientes e seus públicos.