Frankensteins, o Hábito e Processos de Design

Afinal, será que tudo precisa de processos? Esta palavrinha, relativamente em voga dentro do mundo do empreendedorismo, na real nos acompanha em todos os aspectos de nossas vidas, se pararmos para pensar sobre o assunto. De maneira quase automática, instintiva, criamos pequenos hábitos e, bem, processos para tudo em nossas rotinas.

Você acorda e escova os dentes primeiro. Ou fuma um cigarro, toma uma água e aí então escova os dentes. Ou talvez seu dia comece amarrando seus sapatos, vai saber!

O ponto é que todos temos estes pequenos e grandes momentos de conectar pontos na ordem certa. Na ordem que nos deixa confortável, sim, mas também na ordem que nos permite maximizar nossos esforços, focar nossas atenções no que é realmente necessário e atingirmos nossos objetivos.

O Poder do Hábito

Recentemente ganhei de aniversário de um grande amigo o livro O Poder do Hábito, de Charles Duhigg. Admito que ainda não o terminei, mas leio cada página com grande interesse, em meu tempo, absorvendo tudo que posso deste material deveras excelente. O livro já de cara nos deixa claro, através de exemplos super bem descritos, o tamanho da influência que estes pequenos processos, internos e externos, possuem em nossas existências e, sendo bem claro, sanidades.

 
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Somos seres criados para nos encaixarmos em processos que ocorrem conosco e através de nós, estabelecendo etapas coerentes para nossos dias, trabalhos e cotidianos. O livro até mesmo cita o caso de Eugene, um paciente diagnosticado com encefalite viral cuja memória foi amplamente afetada por sua doença. Eugene era incapaz de lembrar conversas que tivera meros minutos antes, porém, era capaz de se locomover por sua casa, preparar seu lanche e até mesmo andar por seu bairro (com relativo sucesso em todos os casos). Por quê? Porque Eugene estava obedecendo a seus processos, ao hábito estabelecido através da rotina e da repetição. Assim, o idoso se tornava eficaz em seu dia-a-dia, limitado por sua condição, porém devidamente adaptado a ela.

O que isso significa? Que temos uma parte especial dos nossos cérebros para guardar nossos hábitos, os bons e os ruins. E temos um crush gigantesco por ambos.

Sendo assim, é justo presumir que projetos, sejam eles da natureza que forem, também precisarão destes processos e ordenamentos para que atinjam sua máxima eficácia, respeitando calendários, entregas e a satisfação geral do cliente e seus colaboradores. Afinal, projetos são compostos de pessoas, não é mesmo? Podemos dizer que quando estas relações e expectativas estão alinhadas, o “corpo” do projeto está saudável.

Projeto Frankenstein

Bem, como o nome da série de artigos (do qual este faz parte) engloba a palavra “cutucadas”, eu estou aqui pra dizer que: pouca gente respeita estes processos na hora de empregá-los em suas vidas profissionais, especialmente no empreendedorismo—apesar do hype. E é justamente desta ordem não-natural de fatores e execuções que carinhosamente cunhamos o termo “Projeto Frankenstein”. O que é um Projeto Frankenstein, seu maluco?, você se pergunta.

Nada mais justo.

Se trata destes projetos onde acabamos trabalhando apenas com o que está disponível, mais acessível ou simplesmente confortável. Desrespeitamos os processos, ou sequer levamos suas existências em consideração, e nos colocamos a trabalhar de maneira super empenhada e bem intencionada (estou chutando a média para cima), porém, muitas vezes, extremamente mal direcionada. Prejudicial para a saúde do projeto como todo.

 
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Pensemos novamente na ordem do seu dia. Se você costuma amarrar os tênis antes de qualquer coisa, faria sentido colocar sua meia por cima dele logo em seguida? Ou quem sabe escovar os dentes sem a pasta, para então colocá-la em sua torradinha-delicinha-do-seu-dia e torcer para os seus dentes não notarem a diferença? Pois bem, os processos de um projeto são tão importantes quanto qualquer rotina diária. E, ouso dizer, a falha em segui-los pode acabar sendo ainda mais prejudicial, causando atrito entre a equipe, estresse para contratantes e contratados e, é claro, o gasto de dinheiro a toa.

Afinal, apesar da falsa sensação de estarmos sendo muy inteligentes e safos trabalhando de maneira “orgânica” e “na medida que rola”, acabamos dando a volta em nós mesmos e enganosamente finalizando etapas que precisarão ser corrigidas—ou inteiramente substituídas—em alguma das fases subsequentes.

Processos de Design

Design é outra destas palavras que acaba significando coisas diferentes para pessoas diferentes. Aqui, vamos compreender design como uma atividade baseada na estratégia, na técnica e na criatividade daqueles que a desenvolvem. Sendo assim, os processos de design nada mais são do que abordagens inteligentes e devidamente testadas para tocarmos projetos de maneira fluída, mas não menos assertiva.

 
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Nos apegando um pouco ao termo estratégia, podemos estabelecer estes processos como um grande mapa do desenvolvimento do projeto, o que esperar de cada colaborador, assim como que expectativas e objetivos estaremos tentando alcançar. Com isso, somos muito mais capazes de observamos a famosa big picture, o macro da situação que nos ampara para decidirmos, por exemplo, a ordem das etapas a serem executadas, de onde conseguiremos os dados necessários (e quais são), chegando até mesmo ao vislumbre de produtos finais que ainda estão lá no horizonte. Sem nos atropelarmos, sem pressa, tudo em seu devido tempo e lugar.

Em suma, os processos de design criam a corrente de fatos e acontecimentos ideal para que cada etapa do nosso mapa de viagem seja cuidadosamente escolhida para complementar o que vem depois, através do conhecimento e resultados atingidos até então. Como estômagos (que comparação osso) que digerem o alimento em uma ordem perfeita pra deixar você supimpa, nutrido e saudável.

E no Elevante?

Muito do nosso trabalho no Elevante é fruto de anos expostos a estes mesmos processos de design, aplicados a diferentes realidades, contextos e objetivos. Antes mesmo do Ele nascer, todos os membros da rede sempre foram grandes adeptos desta forma de trabalhar, assim como da busca por novas ferramentas, experiências e melhoras constantes. O foco? Projetos que façam sentido, tanto na forma como são executados, quanto nos resultados e impactos positivos que trarão para o mundo quando estiverem prontos.

Pensa como a gente? Ou acha que tá na hora de polir um pouco seus processos e, consequentemente, seus resultados? Só chamar, adoramos trocar ideia sobre seus desafios, histórias e, claro, futuros!

 

 
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De roteiros a conteúdo e até livros de RPG, André trabalha para inventar novos meios, tons e approaches para a comunicação entre clientes e seus públicos.