Revista Tendências do Coletiva.Net tem Elevante ❤

Saiu! A edição 2018 da revista Tendências do Coletiva.Net tá babado.

 
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Com coordenação-geral de Márcia Christofoli, coordenação editorial de Karen Vidaleti e curadoria dos nossos queridos do Black Sheep Project, a revista Tendências de Inovação foi desenvolvida em torno dos temas:

  • DESconstrução

  • DESmistificação

  • DESmaterialização

Dentre os convidados para as reportagens, tem gente SINISTRA como Rafael Prikladnicki (diretor do Tecnopuc), Gustavo Goldschmidt (CEO da Superplayer), Peter Kronstrøm (futurista do Copenhagen Institute For Future Studies), Sérgio Gama (evangelista líder de desenvolvimento da IBM) , Tito Gusmão (CEO da Warren Brasil) e Luciano Braga (sócio da Shoot The Shit).

And… tem EU! Eu também to lá, gente <3 Que honra!

 
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Na matéria sobre redefinição de padrões e desapego de regras tóxicas, especialmente no âmbito empresarial, foram entrevistados Fernando Martins (sócio da Eyxo), Lisiane Rocha (gerente-geral da ThoughtWorks de Belo Horizonte) e, pra completar, a Elevantinha aqui marcando presença \o/

Você pode acessar a versão digital da revista AQUI. Se quiser ir direto pra reportagem, tá na página 80, mas recomendo fortemente que você leia tudinho, devore esse conteúdo porque tá incrível!

E como a gente é legal, resolvemos publicar todas as respostas na íntegra. Olha só o que a galera do Coletiva.Net me perguntou e as minhas ideias loucas:

Pra você, o que é desintoxicação das regras, tanto na vida pessoal, quanto profissional?

As regras são necessárias e fazem parte de como funciona uma sociedade. Nos são impostas legalmente e outras são criadas e legitimadas empiricamente. Como tudo que é demasiado tende a ser nocivo, as regras em excesso fazem com que confiemos mais nelas do que na capacidade de julgamento das pessoas - inclusive de nós mesmos. Pra mim, a regra que intoxica é aquela que não preza pela sua segurança ou integridade, nem pelo dever genuíno e consciente.

A regra tóxica coloca muros e faz com que você precise se encaixar em algo que não acredita, que cria problemas ao invés de resolver. Também poderíamos falar sobre seguir certas regras não-formais para atender à expectativa alheia ou seguir um status quo, assumindo um comportamento ultrapassado e enraizado.

No ambiente profissional ou pessoal, a desintoxicação pode se dar através de um raciocínio analítico sobre o presente e o abandono seletivo práticas, políticas, crenças e comportamentos que já não condizem com o futuro que desejamos criar. Portanto, essa desintoxicação é um processo que parte de um olhar de questionador e de uma atitude orientada ao futuro. Planejar e executar uma desintoxicação de regras se baseando no passado é um tiro no pé.

De qual ou quais formas acontece o modelo de gestão horizontal nas empresas?

Costumo dizer que as empresas são organismos vivos, cada uma com suas particularidades e com a tendência natural de viver metamorfoses. Quando falamos em organizações, muitas vezes, esquecemos que são feitas de pessoas para pessoas, o que abre um universo de possibilidades e desafios. Portanto, seria improvidente da minha parte se eu limitasse esta resposta a uma receita de bolo. São muitas variáveis, desde o modelo de negócio até o contexto em que a organização está inserida.

 
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A palavra-chave é autonomia, mas ela não se dá sem que exista recrutamento, planejamento, capacitação, cultura e comunicação interna adequados. Durante a minha jornada de fundação do ELEVANTE (que é uma empresa livre e horizontal), conheci, estudei e, posteriormente, participei da estruturação de uma série de cases horizontais, alguns bem sucedidos e outros nem tanto. E posso garantir: nenhum deles foi implementado ou funciona da mesma forma.

Você acredita que é possível dar mais autonomia aos funcionários, fugir da tradicional hierarquia, e manter a produtividade nos negócios? Como as empresas podem fazer isso?

Claro, é possível. Mas não acredito em enxergarmos a hierarquia como antagonista. O problema não está na hierarquia e, sim, na substituição da autoridade pela tirania e no desconforto que isso gera. A falta de organograma coeso, de comunicação interna não-violenta e da formação de bons líderes são alguns dos elementos que podem tornar as hierarquias nocivas à organização e aos seus colaboradores.

Os modelos hierárquicos podem ser colaborativos, mais eficientes e fluidos, onde a autonomia é parte da atribuição de alguns lideres e gerentes. Estas empresas podem oferecer ambientes ideais para criatividade e inovação, como é o caso de algumas multinacionais que conheci de perto. Podemos dizer que, entre o vertical e o horizontal, existem nuances. Não há necessidade de uma empresa revolucionar seu modelo de gestão sem as perfeitas condições para assumir este caminho.

O segredo é questionar algumas práticas, evoluir e adaptar, criando ecossistemas vivos e em constante melhoria. Agora, pensando em empresas em fase de concepção, a escolha de um modelo horizontal demanda atenção ao mindset. O ELEVANTE, por exemplo, nasceu e se consolidou como organização horizontal porque todos os envolvidos são empreendedores natos, profundamente conectados ao propósito e a autonomia nunca precisou ser estimulada. Além disso, somos uma empresa pequena e operamos ao estilo boutique: poucos clientes por vez, mas com exclusividade e profundidade. Isso faz com que o nosso formato de operação não seja exemplo a ser seguido cegamente. Logo, é bom termos em mente que o funcionamento não-hierárquico não necessariamente é ideal para todos os tipos de organização e não é uma mudança que acontece de um dia para o outro.

Pra você, como se dá a relação liberdade, autonomia e inovação?

Posso falar de como minha vida é pautada hoje. Tudo é sobre liberdade, autonomia e inovação. Parece poderoso né? E é como eu me sinto, mas como diria o Homem-Aranha: “with great power comes great responsibility”. Assumo a responsabilidade de liderar um grupo e gerenciar projetos sem que toda uma equipe seja submissa a mim. Eu sirvo a um propósito maior, minha rotina é toda organizada para que eu gere formas de impactar positivamente e comunicar o que acredito. Esta é a melhor das liberdades. Porém, sem as amarras tradicionais, sou livre para tomar decisões e cada erro afeta muito, em vários aspectos.

Equilíbrio e análises permanentes se fazem necessários. Ser livre não é sinônimo de mundo cor-de-rosa ou organização totalmente caótica, nem significa que eu só exerço funções divertidas, pelo contrário. Além disso, tem sido um longo caminho contra a resistência. Por mais que tenhamos inúmeros e excelentes cases tanto com empresas globais com enorme potencial de impacto quanto com os locais que mudam o mundo um pouquinho por dia, ainda é normal percebermos reações de estranhamento. Alguns não acreditam que nosso modelo funciona, que é rentável ou que entrega valor apenas por adotarmos este modelo. Mas, posso garantir que grande parte da capacidade e da inteligência dos nossos serviços acontece por conta da liberdade, da autonomia de cada profissional e, principalmente, pela ininterrupta busca por inovação.

Fugir das convenções sociais, desconstruir conceitos e criar novos comportamentos pessoais e profissionais é uma forma de inovar?

Inovar é gerar valor para as pessoas e para o mundo. Se a desconstrução ocorre guiada por este princípio, então estamos fazendo nossa parte. Se o objetivo for gerar valor pra si mesmo, acredito que observar em volta e saber que não vivemos isolados é importante, pois as mudanças tocarão os outros. Esta inovação pessoal ou profissional pode ser radical ou incremental. Radical é quando decidimos mudar drasticamente, pode ser de profissão, talvez de cidade? Mas, pra ser inovação, esta mudança não pode ser apenas porque deu vontade, ela precisa ter a geração de valor como base. Pensando em comportamentos e hábitos, a inovação incremental é quase inerente a todos os seres-humanos. Aposto que o seu comportamento não é o mesmo de 10 ou 5 anos atrás e que, hoje, sua capacidade de agir com mais consciência está ampliada.

Quanto às convenções sociais, acho que o ponto não é fuga. As convenções estão aí e podemos escolher não viver por elas, claro. Porém, é inevitável que esbarremos com uma ou outra e não acho prudente evitá-las, porque é impossível mudar algo sem conhecer e atuar de perto. Muitas convenções são ignorantes e prejudicam nossos semelhantes, além de não as assumirmos como verdade individual, podemos e devemos ter um olhar coletivo para que preconceitos e percepções ultrapassadas deixem de ser legitimadas pelas pessoas ao nosso redor. Usar nosso poder de influência com responsabilidade é mais importante e prudente do que, simplesmente, fugir ou ignorar a existência da dor que algumas convenções sociais burras causam às pessoas.

Na área da Comunicação, o que você acha que deve ser feito para melhorar nesse sentido?

Comunicação é um tema abrangente, mas gosto de pensar que em todas as suas maneiras, comunicar é conectar ideias e pessoas. Dentre os maiores desafios que identifico está o excesso de fala e o minimizar do poder de escuta. Ouvimos para rebater, não para absorver. As bolhas ideológicas e as opiniões disseminadas sem propriedade são endêmicas. A busca por uma comunicação mais eficiente e sensata, certamente, passa pela visão de que tudo que é comunicado gera efeitos. Qual é o resultado que a sua comunicação pretende? Se este objetivo é puramente imediatista e egóico, repense.

Esta lógica precisa ser parte do mercado de comunicação urgentemente, pois a venda e a compra de serviços comunicativos focados exclusivamente em manipulação e lucro, desconsiderando o impacto, se aproxima mais da Revolução Industrial do que da Era exponencial e do paradigma de abundância que deveríamos almejar como humanidade. As organizações e as pessoas comunicadoras precisam utilizar suas posições privilegiadas de fala como uma ferramenta de evolução e consciência.

E aí? O que achou? Depois me conta e bora trocar ideias. <3

Ass. Má.