O Santo de Casa, o Balde de Caranguejo e a Ajuda Mútua

Sem rodeios? A real mesmo é que a gente fica preso sem perceber. A rotina de trampo, a forma de pensar, os mesmos rostos de sempre. Pode ser que isso não pareça um problema, até porque os rituais diários e uma certa segurança são importantes, tá tudo bem! Exceto por um pequeno detalhe: a sensação de que tá tudo bem.

Calma, vou explicar.

O sentimento de que tá de boas se mistura com a maturidade e causa a eterna preguiça da novidade. É fato! Não sei você, mas eu ando cada vez mais confortável e segura das minhas escolhas tradicionais. Só que num panorama geral, sentar numa mesa e pedir o de sempre pode ser perigoso, especialmente quando falamos da belíssima mistura entre carreira e vida pessoal - sim, uma mistura, não duas vidas separadas, ok?

“Me vê o de sempre” em qualquer contexto que não seja seu boteco preferido, significa que você tá pretensiosamente se fechando pra outras perspectivas e inspirações. Falo de pretensão porque não sei se existe uma atitude mais arrogante do que dizer que você não precisa de um empurrãozinho. Geral precisa! Mas nem todo mundo percebe que a ajudinha “de sempre” talvez não seja a mais provocativa e evolutiva.

 
A gente nunca sabe quando parece estar tudo bem, mas na real uma mãozinha iria bem.

A gente nunca sabe quando parece estar tudo bem, mas na real uma mãozinha iria bem.

 

Santo de Casa

Claro que é válido pedir conselhos, feedbacks e comentários daquelas pessoas que convivem contigo e estão sempre ali - seja no trampo, na família ou no grupo de amigos bem próximos. O risco tá em só criar acesso a mais doses do “de sempre, o que faz com que você abra seus desafios apenas pra quem conhece seu modus operandi e, talvez, até seja naturalmente predisposto a concordar com muito do que você diz.

Nesse caso, não tenho medo de afirmar que santo de casa não faz milagre e, muitas vezes, só alimenta seu ego e a presunção de que tá tudo certo.

A Vulnerabilidade-Útil

“Pô, Marilia! Mas você quer dizer que eu tenho que abrir meus anseios e receios pra desconhecidos? Prefiro falar com gente em quem eu confio.”

Ok. Cada um com seus cada qual, você pode continuar conversando só com gente de confiança, mas saiba que essa confiança não é bem nas pessoas e, sim, no seu confortinho de se mostrar vulnerável e precisando de ajuda apenas na intimidade. Mas vou te contar um segredo: transparecer a vulnerabilidade não pode ser encarado como problema, ainda mais quando significa ter a chance de ampliar seu olhar sobre uma determinada situação.

Afinal, por que a pessoa de convívio próximo pode não ser a melhor pra te ajudar a ter novas percepções?

É uma questão de familiaridade. A galera “de sempre” já sabe o que esperar de você e tem 86.362 expectativas sobre suas atitudes. Essas expectativas sobre você podem causar:

  • uma surpresa, caso você diga algo diferente do esperado. Você ali, na maior franqueza, compartilhando planos, ideias, receios e, ao invés de conseguir aquele comentário que agrega, tranquiliza e motiva, o outro lado, mesmo sem perceber, tenta te puxar pra baixo. Um típico balde de caranguejos.

  • ou isso pode fazer o papo ser limitado ao que as pessoas acham viável dentro do seu status quo. EPA! Status quo, aquele que a gente sempre fala que é uma bela bullshit, lembra?

Nenhuma das duas situações agregam muito, certo? Nem ampliam a sua visibilidade sobre a situação. Então, a gente se fecha e entra naquela nóia de não falar sobre algo até que dê certo. Mas sabe o que é isso? Medo de transparecer a vulnerabilidade, medo de parecer ser alguém que não tem a visão completa nem perfeita sobre os fatos. Só que a gente tem o total de ZERO obrigação de ter a visão completa e perfeita. Aliás, é justamente a consciência de que podemos descobrir mais que nos permite QUESTIONAR. E é justamente questionando que se inicia um processo de transformação.

Questionar é o começo de um processo de experimentação. Observar e analisar o fato por um novo ângulo logo no começo é tão importante quanto botar a mão na massa e fazer a mudança acontecer até o final. Portanto, sair dessa casca grossa de vaidade e pretensão, é tornar úteis as incerteza e a vulnerabilidade.

 
Registro da minha participação no FuckupNights, um evento global dedicado a falar sobre fracassos e as lições que eles proporcionam. É importante que a gente se liberte do medo de falar sobre erros e enganos. Eu não preciso acertar sempre, nem você e bem na real é porque erramos que passamos a acertar. Parece óbvio, mas é libertador.

Registro da minha participação no FuckupNights, um evento global dedicado a falar sobre fracassos e as lições que eles proporcionam. É importante que a gente se liberte do medo de falar sobre erros e enganos. Eu não preciso acertar sempre, nem você e bem na real é porque erramos que passamos a acertar. Parece óbvio, mas é libertador.

 

Oportunidades de Abrir a Mente

E não é porque a gente curte dar umas sacudidas no status quo que a gente não corre o risco de cair nele. Por isso, estamos trabalhando cada vez mais pra criar oportunidades de expandir nosso olhar e o dos outros. O que tem rolado é basicamente isso aqui:

Receber e oferecer mentoria

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Nossa iniciativa carinhosamente chamada de Ajuda Mútua

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A sensação de que as coisas vão rolar cada vez melhor

Sentimento que é inversamente proporcional ao “tá de boas, não preciso de um empurrãozinho” porque admite a constante necessidade de olhar externo e faz com que a gente assuma a posição de esponja - que sabe que pra fazer uma boa espuma, é necessário absorver.

Mentorias e Ajuda Mútua

Sobre receber mentoria: foi através da mentoria oferecida por um desconhecido - hoje amigo - que eu fui capaz de conduzir toda minha estratégia de prospecção dos últimos 11 meses. Presta atenção! Eu to falando de comercial, de grana. Pára de achar que a mentoria não vai te acrescentar.

Sobre oferecer mentoria: embarquei em universos que pareciam distantes, mas descobri que não são. Rolou projeto de educação alimentar (!), rolou projeto de vida nômade aliada à decoração (!!), projeto de redução de lixo e sustentabilidade, cosméticos ecológicos, despedida de solteira (!!!), projeto de acessibilidade, de comida, de arte e cultura e por aí vai... Acredite: tudo isso acrescentou e MUITO ao meu repertório como consultora, palestrante, facilitadora e mulher. E mesmo que eu estivesse na posição de mentora voluntária, que recebe vários “obrigado mesmo!”, quem saiu no lucro fui eu.

Sobre Ajuda Mútua: em poucas edições a gente já presenciou o intercâmbio de conhecimentos entre customer success de empresa de software e firma de consultoria, programador e estrategista pra marcas de música, gente com experiência no mercado de produtos eróticos trocando figurinhas com quem tá modernizando um negócio familiar. Gente que nunca se viu, geral com a cabeça fervilhando, a caneta nervosa e os olhos abertos e brilhando! Inclusive, tenho páginas e páginas e páginas de anotações dos meus insights como facilitadora desse rolê e já tô botando muita coisa em prática.

O objetivo é fazer com que a Ajuda Mútua se torne, de fato, uma rede de apoio e um movimento consistente, nem que pra isso eu precise organizar e ser anfitriã de mais 1000, 5000 calls. Porque FUNCIONA! E ajuda legitimamente, mas só a quem tá disposto a despir a pretensão e a se jogar na experiência.

Você tá? Então vem.

O próximo call da Ajuda Mútua e a candidatura pras mentorias rola a partir de 4 de fevereiro, segundona, pelos stories no instagram do Elevante. É só chegar!


 
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Marilia é facilitadora e estrategista de inovação, marcas e cultura organizacional. Fundou o ELEVANTE para proporcionar inovação de forma acessível e simplificada para organizações e pessoas.